A REFORMA OBRIGA-OS A TRABALHAR

sábado, 28 de abril de 2012

Lia Gama, Sinde Filipe e Margarida Carpinteiro

Falta de descontos no passado, afeta reforma dos atores para sobreviverem.
São muitos os atores nacionais já reformados que necessitam de continuar a trabalhar para pagar contas. Isto porque os poucos descontos feitos durante a carreira fazem com que atual mente recebam pensões, em muitos casos, inferiores a 500 euros
Em Portugal, e no final do ano passado, 84,6% dos pensionistas da Segurança Social, mais de 1,4 milhões de pessoas, recebiam menos de 500 euros de reforma. Neste lote estão, sobretudo, trabalhadores com baixa escolaridade e que exerceram profissões menos qualificadas e mais mal remuneradas. Contudo, entre a geração de reformados abaixo de 500 euros estão também caras conhecidas dos portugueses, nomeadamente atores que auferem uma pensão baixa, devido aos poucos descontos que fizeram durante a carreira, e que por isso continuam no ativo.
Lia Gama é um destes exemplos. A atriz, de 67 anos, recebe 330 euros de reforma, um valor baixo que tem uma explicação: "A minha geração descontou muito pouco, porque se ganhava mal no teatro. Éramos trabalhadores independentes e intermitentes!". Agora, e após um ano de trabalho em ‘Laços de Sangue’ (SIC), está "parada há oito meses, à espera que o telefone toque". O desabafo reflete o drama de muitos atores sem trabalho fixo, sendo que a falta de projetos os deixa "sob grande pressão". "Não é fácil viver de uma reforma de 330 euros, até porque hoje temos de ajudar os filhos e os netos. Tenho 52 anos de carreira e é difícil aguentar psicologicamente esta pressão. Há tantos canais de televisão, mas a crise parece pior do que há anos". Lia Gama conta que para sobreviver à falta de trabalho faz "como a formiga", "amealha o mais possível para viver dessas economias nos momentos de crise".
Valor idêntico de reforma tem Sinde Filipe, que não hesita em afirmar que se não tivesse "bens pessoais" não tinha "capacidade de sobrevivência". "Estou há um ano sem trabalho. Vou agora fazer teatro sozinho. Um actor sem projectos em TV vive com dificuldades". Sobre a parca reforma, recorda o colega Armando Cortez "muito exigente com os descontos" e admite que "nunca ligou muito" ao assunto. "Fui distraído e hoje a reforma é simbólica", lamenta.
Ainda há mais tempo afastada da televisão está Natalina José, uma das animadas vizinhas da série da SIC ‘Aqui Não Há Quem Viva’, que começou a ser exibida em 2006, e que foi o seu último trabalho em televisão. Dos 363,80 euros que recebe de reforma paga a renda da casa e as despesas. "Às vezes é difícil. Quando estou mais aflita para pagar a renda vale-me a minha filha e a minha poupança, que um dia destes desaparece", diz. Sobre os descontos que fez, e outros que não foram entregues ao Estado, Natalina José frisa: "Nós descontávamos, mas os empresários ficavam com o dinheiro, em vez de o entregarem à Caixa de Previdência. Só mais tarde é que descobrimos", revela.
O uso do dinheiro dos descontos dos atores, por parte de empresários, para outros fins, é confirmado por Margarida Carpinteiro. "No meu caso, nem sei se descontava nos primeiros anos. Depois descontei e as contribuições não foram entregues à Segurança Social. Hoje não tenho direito a baixa, nem subsídios. Por acaso tenho saúde, posso trabalhar, e trabalho não falta... senão estaria muito mal como alguns colegas". No entanto, a atriz faz questão de sublinhar que o valor das reformas dos atores reflete o facto de a profissão "nunca ter sido levada a sério".
Com uma reforma de 400 euros, Irene Cruz trabalha "desde os 15 anos", e também se queixa de muitos dos descontos que efetuou "terem sido retidos por empresários".
Aos 82 anos, Camilo de Oliveira diz que os seus 750 euros de reforma servem para "pagar uma sandes e a gasolina". Para custear as restantes despesas, o ator vai fazendo espetáculos pelo País. "Não estou parado. Tenho os sábados e domingos ocupados. Se compensa? Se não compensasse não aceitava, porque hoje em dia andar na estrada é mau".



Ainda assim, nem todos os atores passam pelas dificuldades vividas por muitos dos seus pares. Circunstâncias laborais favoráveis, em alguns casos, e uma maior consciência da necessidade de descontar, permitem a alguns viverem com maior comodidade financeira.


É o caso de Ruy de Carvalho, reformado há 20 anos, que conta que "toda a vida" descontou, mesmo depois "dos 65 anos". "Trabalho por fora, desconto e ainda dou muito dinheiro a ganhar ao Estado através do IRS. Há muitas pessoas em má situação porque não descontaram, umas porque não podiam, outras porque não queriam. Eu tive sempre o cuidado de verificar se os descontos estavam a ser efetuados. Acredito que hoje em dia há gente que trabalha em televisão e não desconta...", diz o ator que trabalhou vários anos no Teatro Nacional.
O mesmo sucedeu com Lourdes Norberto, que recebe hoje 1700 euros. "Este valor vai ser corrigido com a nova medida do Governo que penaliza as reformas acima dos 1500 euros", adverte a atriz que trabalhou 60 anos no Teatro D. Maria II. Lourdes Norberto está, no entanto, inconsolável por ter sido esquecida pela TV. "Apagaram-me com uma borracha!", desabafa.
Também Catarina Avelar passou pelo Teatro Nacional, onde "os descontos eram levados a sério". "Depois de 47 anos de contribuições deixei o teatro e, porque ainda não tinha 65 anos, fui à Segurança Social pagar o que faltava até atingir essa idade", conta a atriz, que integra atualmente o elenco de ‘Dancin’ Days’ na SIC.


Fonte: Correio da Manhã

1 comentários:

  1. Coitados deles aqui se prova podem ter fama mas passão por dificuldades espero que a SIC,RTP e TVI liguem para eles e dei papeis em series,novelas e em humor.
    Não imaginava que Sinde Filipe e a Natalina José ganhavam uma reforma tão baixa.

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