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RUBRICA: "SIC OPINIÃO" - O QUE DEVE SER A RTP

sábado, 22 de junho de 2013


Boa Tarde! Seja bem-vindo ao "SIC OPINIÃO".

A rubrica de opinião de um critico de TV externo, hoje por Joel Neto.

"O que deve ser a RTP

O problema do desconvite a Rita Ferro Rodrigues para o "5 para a Meia-Noite" não se limita à descortesia: reflete um entendimento errado do que deve ser a relação da RTP com as estações privadas - e, no limite, do que deve ser o serviço público de televisão. 

A pedra de toque é a palavra "concorrência". Deve a RTP considerar a SIC e a TVI como concorrentes? Muito claramente: não. Sim, eu sei que é esse o pressuposto em vigor. Sim, eu sei que Hugo Andrade e Paulo Ferreira têm de gerir os conteúdos e a informação de modo a favorecerem a obtenção de audiências e de receitas publicitárias. E sim: eu também sei que é difícil gerir uma empresa cuja aspiração fundamental seja a sua própria inexistência. 

E, porém, é isso que a RTP deve ser: uma empresa regida pelo ideal de, um dia, poder tornar-se desnecessária. Para isso, não pode ter a estrutura que tem. Mas esse ideal deve, desde já, começar a ser cultivado. 

Em vez de concorrente, a RTP deve ser complementar à SIC e à TVI, substituindo-se a elas naquilo a que elas não possam chegar - e as estrelas da SIC e da TVI (desde que se trate de estrelas edificantes, não do lixo social dos reality shows e dos concursos para "famosos") devem ser promovidas na RTP também. Há aqui um paradoxo, efetivamente. Mas é assim mesmo que devem ser as empresas públicas: paradoxais.

Autor: Joel Neto em Diário de Noticias.

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RUBRICA: "NOTAS SOLTAS" - VERÃO, PARA QUÊ?

terça-feira, 18 de junho de 2013


Boa noite! Seja bem-vindo às "Notas Soltas".

Hoje por: Joel Neto

"Verão, para quê?" 

1. O que é que distingue "Portugal em Festa" (SIC), de "Somos Portugal" (TVI)? Tanto quanto se pode perceber pelas informações distribuídas por Carnaxide, nada de relevante. Para a primeira estação privada portuguesa, pois, o combate à hegemonia da TVI deve continuar a fazer-se no campo desta, com uma proposta o menos diferenciadora possível. Parece-me absurdo. Porque os resultados de tal estratégia estão à vista e, sobretudo, porque, do ponto de vista da qualidade, em nenhum momento alguma das duas puxa um pouco pela outra. E isso torna particularmente evidente a gravidade do relatório da ERC sobre o negócio dos media em Portugal nos últimos quatro anos. 

A televisão secou tudo à volta. E, no entanto, é cada vez mais pobre. E disto, não sendo por imposição de algum choque de mentalidades resultante desta dolorosa crise económica, já não sairemos nunca.


2. Momento divertido na Notícias TV: as justificações dadas por Pedro Lopes, argumentista de "Dancin Days", sobre as semelhanças entre a personagem de Pepê Rapazote, "Miguel", e a de "Cadinho", de "Avenida Brasil". Diz ele: "Miguel não é uma cópia nem idêntico ao Cadinho. (...) No caso do Miguel há um jogo romântico." 

Toda a razão. Para além do mais, "Miguel" coxeia da perna direita, ao passo que "Cadinho" coxeia da esquerda. Vocês não percebem nada.

Autor: Joel Neto em Diário de Noticias

Quais são as suas notas soltas sobre o tema abordado?

RUBRICA: "NOTAS SOLTAS" - A MEDIDA CERTA

terça-feira, 21 de maio de 2013


Boa noite! Seja bem-vindo às "Notas Soltas".

Hoje por: Joel Neto


"A medida certa"

A SIC fez o que tinha de fazer: pegou na final da Liga Europa e transformou-a num happening, contaminando canais, noticiários e programas com a demanda europeia do Benfica. O resultado do jogo foi mau, mas quase tudo funcionou. Menos, claro, a noção da medida certa. 

Ao fim de horas de notícias, entrevistas, debates e depoimentos, incluindo a habitual overdose de vox pop, foi quase atordoador ver fechar a noite com um direto de Luís Marçal no aeroporto de Schiphol, só para dizer que aquele era o avião do Benfica e que tinha um autocolante encarnado. E foi definitivamente desconcertante perceber que, afinal, a noite ainda não estava fechada, porque faltava todo o Jornal da Meia-Noite, incluindo uma abertura de minuto e meio com os jogadores do Benfica chorando sob uma peça clássica de tons melancólicos, mais um novo direto do aeroporto para relatar a descolagem. 

Sim, nós estamos necessitados de emoções alternativas às da crise. Mas nem tanto.

Fonte: Diário de Noticias

Quais são as suas notas soltas sobre o tema abordado?



RUBRICA: "SIC OPINIÃO" - NINGUÉM SE ENTENDE

sábado, 4 de maio de 2013


Boa Tarde! Seja bem-vindo ao "SIC OPINIÃO".

A rubrica de opinião de um critico de TV externo, hoje por Joel Neto.

"Ninguém se entende"

Não sei quem tem razão no debate em torno da validade dos dados audimétricos da GfK, incluindo pedidos de auditoria, recusas de pagamento dos serviços da empresa e ameaças de recurso para os tribunais. 

Sei três coisas. A primeira é que tanto a credulidade da SIC como a incredulidade da RTP e da TVI devem ser igualmente compreendidas, nomeadamente depois dos avanços e recuos dos critérios. 

A segunda é que, independentemente do grau de razão que assista a cada uma das partes em confronto, a margem de erro mantém-se grande o suficiente para que, tanto tempo depois, os contestatários consigam insistir na argumentação original. 

E a terceira é que, no meio do burburinho, há investimento publicitário (e, portanto, há dinheiro) que vai parar aos bolsos errados - e essa situação acontece provavelmente desde o início, o que não apenas é mau para o rendimento das estações mas também para a eficácia dos esforços dos anunciantes. 

Pois vai ser muito interessante assistir aos resultados da assembleia geral da CAEM da próxima terça-feira. Com as televisões na presidência, foi impossível pacificar o sector. E com os investidores publicitários, como será? 

Suspeito que, se eles não o resolverem, então o problema é insolúvel .


Autor: Joel Neto em Diário de Noticias.

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RUBRICA: "SIC OPINIÃO" - BOAS NOTICIAS

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Boa Tarde! Seja bem-vindo ao "SIC OPINIÃO".

A rubrica de opinião de um critico de TV externo, hoje por Joel Neto.

"Boas Noticias"


O regresso do modelo de "Contra Informação", mas desta vez na SIC, onde começou como "Jornalouco", em 1992, acaba por funcionar como uma espécie de contraponto do sucesso supracitado. 

Independentemente do seu grau de cristalização, a descontinuação do programa foi uma perda para o debate político, sobretudo no que diz respeito à sua disseminação com um certo grau de assertividade entre os portugueses anónimos (na verdade, o humor era apenas a ferramenta). 

Quanto ao mais, se há ciclo político passível de sátira é este. Incluindo, atenção, Governo, oposição e eleitorado. E já está na hora de os portugueses voltarem a conseguir rir um pouco de si próprios. Nem só de raiva vive o homem.

Autor: Joel Neto em Diário de Noticias.

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RUBRICA: "SIC OPINIÃO" - TEMPOS DIFÍCEIS

sábado, 19 de janeiro de 2013


Boa Tarde! Seja bem-vindo ao "SIC OPINIÃO".

A rubrica de opinião de um critico de TV externo, hoje por Joel Neto. 

"Tempos Difíceis"

A SIC empenhou-se como devia no lançamento de "Vale Tudo", mas o resultado não parece mais do que se esperava: uma "gala" totalmente desprovida de graça, que "reinventa" com imaginação esforçada mas parca a proposta central de "A Tua Cara não Me É Estranha" (TVI), vive sobretudo de estrelas de segunda ordem, se socorre do mais básico piadismo luso para preencher os tempos mortos e, como pièce de résistance, proporciona a Luciana Abreu começar desde já a vender a imagem das filhas em horário nobre.


João Manzarra faz o que pode, mas a conclusão é tão inevitável como sempre: a TV generalista prossegue na sua curva descendente até à extinção final. Não é culpa de ninguém: é apenas resultado do curso dos tempos. Claro que, se se investe todos os recursos sobrantes numa coisa destas, não resta nada para a procura da reconversão ideal. Mas a SIC é que sabe o que faz com o seu dinheiro, naturalmente.


Autor: Joel Neto em Diário de Noticias.

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RUBRICA: "SIC OPINIÃO" - EXEMPLOS ULTRAMARINOS

sexta-feira, 9 de novembro de 2012


Boa Tarde! Seja bem-vindo ao "SIC OPINIÃO".

A rubrica de opinião de um critico de TV externo, hoje por Joel Neto.

"Exemplos ultramarinos"


Avenida Brasil (SIC) jamais poderia obter em Portugal o sucesso que obteve no Brasil. Inspirada na nova classe média brasileira, feita de gente tão trabalhadora como barulhenta, tão rude como generosa, depende muito mais do retrato do que da aspiração.

No fundo, ninguém que a veja se põe a sonhar com contos de fadas. Mas revê-se, e isso muito mais facilmente acontece aos brasileiros do que a nós, não só porque eles são de facto os protagonistas da história como, sobretudo, porque o percurso da nossa classe média vai em sentido descendente (mesmo em queda-livre), não ascendente. Por outro lado, fica-nos a lição.

Independentemente das qualidades do produto em causa, a paráfrase de um tempo também pode vender. E talvez esteja na hora de, em vez de começarem pelas historietas e depois as polvilharem de cromos, os guionistas portugueses tentarem começar pelas personagens, partindo daí para os seus dilemas e deles para os abismos humanos. No fundo, é o processo da literatura. O mesmo que Avenida Brasil tentou reproduzir.

Autor: Joel Neto em Diário de Noticias.

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RUBRICA: "SIC OPINIÃO" - ENCHENDO CHOURIÇOS

sexta-feira, 2 de novembro de 2012


Boa Tarde! Seja bem-vindo ao "SIC OPINIÃO".

A rubrica de opinião de um critico de TV externo, hoje por Joel Neto.

"Enchendo Chouriços"


Está bem: comparado com Casa dos Segredos 3, o maior tributo ao mau gosto e à acefalia até hoje produzido em Portugal, até hoje, repito, Toca a Mexer (SIC, domingos à noite) é inofensivo. Até porque tem um lado vagamente didático: apesar de aquelas pessoas já saberem dançar, e de portanto não se perceber como podem cultivar esse hábito e continuar tão gordas, o desafio ao exercício - e a um exercício divertido, até porque já não estamos na disposição de fazer nada que não seja divertido - é salutar.

De resto, a produção, a realização e a apresentação não parecem melhores nem piores do que as da maior parte dos restantes programas de formato "gala" com que há anos vimos enchendo as noites de fim de semana. O décor é bimbo mas grandioso, a música é má mas alucinante, o jogo de luzes um tanto feirante mas profissional.

Há, porém, dois problemas. O primeiro é o rebuscamento da premissa, combinando piscadelas de olho a Operação Triunfo, Pensas Que Sabes Dançar? e Peso Pesado (já agora, porque é que os concorrentes não cozinham uns pratos, que sempre se conseguia meter qualquer coisa de Top Chef também?). E o segundo é o tom tristonho que a consciência desse rebuscamento acaba por impor aos semblantes, nomeadamente ao da apresentadora e aos dos jurados, em regra absolutamente em esforço nos seus esgares de riso e felicidade (nos quais, diga-se, Bárbara Guimarães se sai sempre mal).

Ou muito me engano ou há de durar uma temporada só. Programas destes só sobrevivem quando identificam e exploram as personalidades dos concorrentes ditos "cromos". Entretanto, é aí que se tornam definitivamente maus.

Autor: Joel Neto em Diário de Noticias.

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RUBRICA: "SIC OPINIÃO" - A MINHA SIC NÃO É AQUELA

sexta-feira, 12 de outubro de 2012


Boa Tarde! Seja bem-vindo ao "SIC OPINIÃO".

A rubrica de opinião de um critico de TV externo, hoje por Joel Neto.

"A minha SIC não é aquela"



"O mínimo que se pode dizer sobre a emissão especial promovida ao longo da manhã e da tarde de sábado passado pela SIC, a pretexto do seu próprio 20.º aniversário, é que não refletiu a importância do património acumulado pela primeira estação privada portuguesa. O máximo é que se tratou de um programa bafiento e bimbo, com demasiada cor, demasiado barulho e demasiado desrespeito por esse mesmo património.

Naturalmente, nem tudo em Carnaxide são razões para sorrir. A luta contra a escassez orçamental é diária. E, bem vistas as coisas, metade do tempo de vida do canal conta a história de um fracasso: o da perseguição inglória à liderança da TVI, que teve o Big Brother e, com isso, obrigou a SIC a ter o Acorrentados - e depois todos os restantes produtos do desespero com que Carnaxide tentou inverter essa tendência, de resto reforçada a cada nova investida do adversário nos domínios da trash TV, que de facto Queluz de Baixo sempre manipulou melhor.

Mas também houve a subversão das convenções mais obsoletas sobre a programação de um canal generalista. Houve o alargamento das fronteiras em torno do "como" e até do "quando" fazer televisão. Houve a SIC Notícias e a mais importante revolução da história do nosso jornalismo televisivo. E houve - e, aliás, persiste até hoje - uma estética que se violentou a si própria centenas (mesmo milhares) de vezes, mas conseguiu quase sempre manter-se mais elegante do que a da concorrente direta.

A celebração de uma tal história merecia mais do que Nel Monteiro, a música pimba que se lhe seguiu e o desfile de tudo o que houve de mais popularucho e piroso nestes 20 anos. Felizmente, à noite tudo foi diferente".


Autor: Joel Neto em Diário de Noticias.

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RUBRICA: "SIC OPINIÃO" - "O REGRESSO DE GABRIELA"

sexta-feira, 7 de setembro de 2012


Boa Tarde! Seja bem-vindo ao "SIC OPINIÃO".

A rubrica de opinião de um critico de TV externo, hoje por Joel Neto.

"O regresso de Gabriela"


"Fazer um remake de Gabriela (SIC) tem todos os defeitos de fazer um remake de qualquer outra telenovela: é um descaramento, um ato de preguiça, uma prova de falta de imaginação, um tributo à televisão enfadonha de que aparentemente não conseguimos livrar-nos. Mas tem também uma virtude que poucos outros remakes têm: é uma homenagem a um momento verdadeiramente histórico". 

"Foi com Gabriela, retrato de uma ruralidade em diluição, que tudo começou: o êxito das telenovelas brasileiras em Portugal, mas até certo ponto o êxito da ficção em geral e o próprio hábito da reunião de uma família inteira, de olhos esbugalhados, à volta de uma caixa iluminada. O que nem será surpreendente, até porque também nós vivíamos essa transição para uma certa ideia de modernidade de que fala o romance de Jorge Amado".

"Provavelmente, desistirei ao fim de um dia ou dois. Mas, neste momento, só me apetece passar as noites no Bataclan, conversando sobre essa caipira descalça e transbordante de sexo que Seu Nacib trouxe para a vila. E é claro que o envolvimento de Juliana Paes, a mais estonteante brasileira-das-telenovelas desde (pelo menos) Maitê Proença - se não desde a própria Sónia Braga, que agora se encarrega de substituir, também ajuda". 

"Mas, no essencial, é ainda a história o que me encanta: a recordação desse tempo em que já éramos subversivos, mas ainda não experimentáramos quase nada. Julgo não me enganar se disser que, para além da fundação da RTP, em 1957, nenhum outro momento no trajeto da TV portuguesa foi tão relevante pelo menos até 1992, ano em que nasceram as estações privadas. Gabriela foi uma vertigem. E sabe bem recordá-la".

Autor: Joel Neto em Diário de Noticias.

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